sábado, 28 de maio de 2011

Salvem o Carvalho

Risos estridentes, gargalhadas melodiosas e cânticos alegres é o que se ouve em torno do velho carvalho, num grande parque no meio de uma avenida muito povoada de uma pequena mas popular aldeia.
Cada uma destas crianças conhece o velho carvalho e brinca com ele como se este pudesse participar nas suas brincadeiras emocionantes.
Esta velha árvore assistira a todos os momentos mais comoventes e divertidos que se passaram no parque, era o ser mais antigo e rugoso que qualquer habitante daquela pequena aldeia esquecida poderia conhecer e era com ele que se passaram as fases mais difíceis.
No seu trono estava pendurado um pneu como se fosse um baloiço. A corda que o segurava já estava gasta e a ficar desfiada das pessoas que carregou com ternura fazendo os possíveis para que esta não caísse.
Poetas já haviam escrito sobre este velho habitante do parque, mas nenhum ousara experimentar agarrar-se aos seus troncos e libertar-se de suas preocupações, como cordas que o impediam de avançar para seus troncos e retomar a criança que abandonara no seu interior.
Mas aqui estou eu, pendurada neste velho pneu, a olhar para seus ramos e folhas que me caiem pelo corpo, folhas verdinhas acabadinhas de desabrochar. Sorrio e deixo os meus cabelos soltarem-se com a leve brisa de primavera.
Dou balanço para a frente e para trás novamente e sinto a leve brisa da primavera a passar-me pelo corpo e a fazer a minha túnica florida baloiçar.
Pouso os meus pés no rasto de folhas secas que inverno deixou e sento-me á beira do tronco do carvalho que me acolhera na frescura de sua sombra.
Oiço os esquilos a correr pelos ramos do carvalho desconfiados, o chilrear incessante dos pássaros que se pousam nos ramos á procura do local ideal para fazer a sua casa e começar a sua família. Em breve veria pequenos passarinhos a nascer de seus ovos e a prepararem-se para aprender a voar.
De repente, levanto-me da terra e sacudo o meu cabelo das folhas que caíram do velho carvalho.
De um momento para o outro surge uma escavadora.
-Vamos lá! Temos que destruir este jardim até ao final do dia.
Com coragem corri até perto das pessoas que haviam dito isto, mas já estava á espera da resposta que seria dada á minha inocente pergunta.
- O que vão fazer ao parque?
-Temos de o demolir para fazer um parque de estacionamento, vão poder continuar a vir aqui, mas para estacionar os carros!- dito isto deu uma risada maldosa e estridente que se fez ouvir pela pequena aldeia.
Nesse momento, todos saíram á rua para ver o que se passava.
Várias pessoas reclamavam em voz alta ou apenas em murmurações para que se encontrava a seu lado. Vendo o que o borburinho que se iniciava iria causar, pegou num megafone, subiu para uma das viaturas e disse em voz autoritária:
- Nós estamos apenas a cumprir ordens superiores, no final do dia isto vai estar tudo demolido como já referi a esta menina.
Todos se começaram a queixar e puxar o senhor do megafone para baixo para que este os pudesse ouvir bem.
- Eu já venho a este parque desde que me lembro, ou seja há 65 anos que venho a este parque e não é agora que mo vão tirar.- Disse uma senhora já de alguma idade a puxar o colete reflector do homem que nos parecia o engenheiro principal deste parque, afinal havia sido ele que anunciara a toda esta população que agora se encontrava em fúria.
- Vamos destruir este parque por completo, nada vai sobrar, e neste recinto vamos fazer um parque de estacionamento.- Voltou ele a dizer já frustrado.
-Temos de fazer qualquer coisa para evitar isto!- começou a gritar um senhor com os seus 50 anos.
-Quem é o responsável por isto?- perguntou uma senhora ainda nova de cabelos pretos e encaracolados que faziam sobressair o seu rosto pálido e pequeno, tinha os olhos levemente esverdeados que faziam lembrar a primavera, e em suas vestes trazia uma bela rosa branca como adorno para a sua camisola azul escura.
- Creio que sou eu.- Disse um senhor que surgia pelo meio da multidão.- Deixem que me apresente, chamo-me Conde de Matos Brito e vim aqui para, como já devem ter percebido eventualmente, destruir este parque para fazer uma parque de estacionamento.
Elevei-me também eu na viatura e pego no megafone que estes deixaram sobre o carro e digo de voz possante deixando meus cabelos castanhos caírem-me na face, sem que eu depois os ajeite:
- Não vamos deixar que estas pessoas nos destruam o nosso parque pois não pessoal?!
-Não!- gritaram eles todos em uníssono, soando como uma só voz aos meus ouvidos.
- E não vamos deixar que abatam o nosso velho carvalhos o novo choupo ou ainda os caminhos já antes percorridos por nós em pequenos?!
-Não!- voltaram eles a gritar.
-Então gritem comigo! Não deixaremos que nos destruam o parque!
- Não deixaremos que nos destruam o parque!- gritaram eles novamente.

Se quiserem a continuação da história por favor comente :)

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