quarta-feira, 20 de julho de 2011

Trigemeas da Loucura (livro ainda não terminado)

1ºCapitulo
 A típica adolescente passa horas sem fim ao telefone, ou a enviar mensagens, mas nós, nada de típico temos.
Para começar, somos trigémeas, a seguir os nossos pais são donos de uma cadeia de centros comerciais e de hotéis de 5 estrelas pelo mundo inteiro, e para terminar somos trigémeas!!
Pode parecer parvo referir esse facto duas vezes, mas é raro teres duas irmãs que nasceram exactamente no mesmo dia que tu, que vestem as mesmas roupas que tu e também que são exactamente iguais a ti.
Temos as três: os olhos verdes, cabelos loiros com grandes caracóis, as mesmas feições, e algumas sardas que nos completam um bocado as nossas faces de um leve tom rosado, e finalmente temos as três catorze anos.
Podes achar que deve ser divertido, mas não te vou mentir, sim é muito divertido, mas por vezes pode dar com as outras pessoas em loucas, em especial porque arranjamos sempre umas diversões que se não fossem feitas em locais apropriados, não poderias fazer!
Mesmo assim, não as podemos fazer, mas nós arranjamos sempre uma escapatória especialmente porque a nossa “ama”(Miss. Pott) passa o dia todo a dormir!!! em pequenas nós amarrávamo-la á sua cadeira de baloiço, pintávamos-lhe a cara… Mas agora somos mais velhas e gostamos de outros tipos de partidas, por exemplo, bombas de tinta nos sapatos, ovos nas cadeiras onde ela se costumava sentar (sim, costumava, desde que um deles estava fora de prazo e viu um pintainho sair de debaixo do seu traseiro, nunca mais se sentou nas cadeiras onde se costumava sentar nunca mais foi a mesma, e nós fomos obrigadas a frequentar um psicólogo, mas valeu a pena!), mas o psicólogo perguntou-nos várias vezes se as nossas partidas não se deviam à ausência dos nossos pais, mas nós sabíamos que era apenas uma forma de diversão que nós arranjávamos.
 Graças aos hotéis e centros comerciais que os nossos pais têm pelo mundo, nós viajamos bastante, Índia, Marrocos, Suíça, Inglaterra, Holanda, entre muitos outros (até na China!), nós somos obrigadas a mudar-nos muito, não vamos á escola, temos aulas em casa, mas temos várias actividades que os nossos pais fazem a intenção de manter por todos os países para onde vamos.
Ainda não nos apresentei:
O meu nome é Ashley, sou a mais velha (10 minutos), a seguir vem a Danielle e ainda a seguir vem a Sophie, somos a trigémeas
         Johnson!!!
Eu adoro escrever, posso considerar um dos meus hobbies, mas também gosto de muitas outras coisas! Outro é a equitação, simplesmente complementa-me, também gosto muito de fazer Ballet e ginástica acrobática (um desporto que tenho em comum com as minhas manas).
A Dani (Danielle), gosta mais de tocar violino em vez de escrever, pratica golfe e natação, e também, como já disse que todas nós praticamos, ginástica acrobática.
E finalmente a Sophie ( ou como nós a tratamos, Soph), toca violoncelo, pratica ténis e ela também começou agora a fazer ballet, logo eu e ela temos mais em comum, afinal, somos as mais desnaturadas de nós as 3, a Dani sempre foi a mais certinha, mas tiramos todas exactamente as mesmas notas, temos uma média de 95%, impressionante para a quantidade de desportos que praticamos.
Bem, agora vamos começar a nossa aventura, a primeira de que vocês terão conhecimento...
     Em Inglaterra!

sábado, 18 de junho de 2011

Mensagem em ingles com tradução

the world could end, it could come a hurricane, a storm, a tsunami ,anything, but nothing would stop me of walking, know why?Because i know that when a pass throw all this hell i'll be on your arms and you won't let me go with the storm, hurricane, with a big wave and you woldn't stop huging me if the world ends. Know why? because i would do the same for you
 

tradução:
O mundo poderia acabar, poderia vir um furacão, uma tempestade, um tsunami, qualquer coisa, mas nada me impediria de andar, queres saber porquê? porque eu sei que depois d epassar por todo este inferno eu estaria nos teus braços, e tu não me deixarias ir com a tempestade, furacão ou com uma onda gigante, e não deixarias de me abraçar se o mundo acabasse. Sabes porquê? Porque eu faria o mesmo por ti :)

terça-feira, 31 de maio de 2011

o verão

De mão dada com o tempo
O verão chega
Sem uma única palavra todos sabemos
Que chegou a hora da inesperada Primavera terminar

A sua leve aragem provoca as árvores
O seu calor amadurece as frutas como num leve beijo fervente .
Os seus céus azuis cobrem o mundo anunciando a sua chegada.
Vêem-se leves nuvens como algodão
E o doce sabor do verão aquece-nos na noite que ferve ao luar

Já saboreio os mergulhos no mar
apesar de as aulas ainda não terem terminado,
já reconheço o cheiro a maresia apesar de este ainda não ter chegado.

Prevejo isto mesmo antes de começar.
Mas de um momento posso dizer de voz alta e firme:
É verão!

sábado, 28 de maio de 2011

Salvem o Carvalho

Risos estridentes, gargalhadas melodiosas e cânticos alegres é o que se ouve em torno do velho carvalho, num grande parque no meio de uma avenida muito povoada de uma pequena mas popular aldeia.
Cada uma destas crianças conhece o velho carvalho e brinca com ele como se este pudesse participar nas suas brincadeiras emocionantes.
Esta velha árvore assistira a todos os momentos mais comoventes e divertidos que se passaram no parque, era o ser mais antigo e rugoso que qualquer habitante daquela pequena aldeia esquecida poderia conhecer e era com ele que se passaram as fases mais difíceis.
No seu trono estava pendurado um pneu como se fosse um baloiço. A corda que o segurava já estava gasta e a ficar desfiada das pessoas que carregou com ternura fazendo os possíveis para que esta não caísse.
Poetas já haviam escrito sobre este velho habitante do parque, mas nenhum ousara experimentar agarrar-se aos seus troncos e libertar-se de suas preocupações, como cordas que o impediam de avançar para seus troncos e retomar a criança que abandonara no seu interior.
Mas aqui estou eu, pendurada neste velho pneu, a olhar para seus ramos e folhas que me caiem pelo corpo, folhas verdinhas acabadinhas de desabrochar. Sorrio e deixo os meus cabelos soltarem-se com a leve brisa de primavera.
Dou balanço para a frente e para trás novamente e sinto a leve brisa da primavera a passar-me pelo corpo e a fazer a minha túnica florida baloiçar.
Pouso os meus pés no rasto de folhas secas que inverno deixou e sento-me á beira do tronco do carvalho que me acolhera na frescura de sua sombra.
Oiço os esquilos a correr pelos ramos do carvalho desconfiados, o chilrear incessante dos pássaros que se pousam nos ramos á procura do local ideal para fazer a sua casa e começar a sua família. Em breve veria pequenos passarinhos a nascer de seus ovos e a prepararem-se para aprender a voar.
De repente, levanto-me da terra e sacudo o meu cabelo das folhas que caíram do velho carvalho.
De um momento para o outro surge uma escavadora.
-Vamos lá! Temos que destruir este jardim até ao final do dia.
Com coragem corri até perto das pessoas que haviam dito isto, mas já estava á espera da resposta que seria dada á minha inocente pergunta.
- O que vão fazer ao parque?
-Temos de o demolir para fazer um parque de estacionamento, vão poder continuar a vir aqui, mas para estacionar os carros!- dito isto deu uma risada maldosa e estridente que se fez ouvir pela pequena aldeia.
Nesse momento, todos saíram á rua para ver o que se passava.
Várias pessoas reclamavam em voz alta ou apenas em murmurações para que se encontrava a seu lado. Vendo o que o borburinho que se iniciava iria causar, pegou num megafone, subiu para uma das viaturas e disse em voz autoritária:
- Nós estamos apenas a cumprir ordens superiores, no final do dia isto vai estar tudo demolido como já referi a esta menina.
Todos se começaram a queixar e puxar o senhor do megafone para baixo para que este os pudesse ouvir bem.
- Eu já venho a este parque desde que me lembro, ou seja há 65 anos que venho a este parque e não é agora que mo vão tirar.- Disse uma senhora já de alguma idade a puxar o colete reflector do homem que nos parecia o engenheiro principal deste parque, afinal havia sido ele que anunciara a toda esta população que agora se encontrava em fúria.
- Vamos destruir este parque por completo, nada vai sobrar, e neste recinto vamos fazer um parque de estacionamento.- Voltou ele a dizer já frustrado.
-Temos de fazer qualquer coisa para evitar isto!- começou a gritar um senhor com os seus 50 anos.
-Quem é o responsável por isto?- perguntou uma senhora ainda nova de cabelos pretos e encaracolados que faziam sobressair o seu rosto pálido e pequeno, tinha os olhos levemente esverdeados que faziam lembrar a primavera, e em suas vestes trazia uma bela rosa branca como adorno para a sua camisola azul escura.
- Creio que sou eu.- Disse um senhor que surgia pelo meio da multidão.- Deixem que me apresente, chamo-me Conde de Matos Brito e vim aqui para, como já devem ter percebido eventualmente, destruir este parque para fazer uma parque de estacionamento.
Elevei-me também eu na viatura e pego no megafone que estes deixaram sobre o carro e digo de voz possante deixando meus cabelos castanhos caírem-me na face, sem que eu depois os ajeite:
- Não vamos deixar que estas pessoas nos destruam o nosso parque pois não pessoal?!
-Não!- gritaram eles todos em uníssono, soando como uma só voz aos meus ouvidos.
- E não vamos deixar que abatam o nosso velho carvalhos o novo choupo ou ainda os caminhos já antes percorridos por nós em pequenos?!
-Não!- voltaram eles a gritar.
-Então gritem comigo! Não deixaremos que nos destruam o parque!
- Não deixaremos que nos destruam o parque!- gritaram eles novamente.

Se quiserem a continuação da história por favor comente :)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Saber sentir

Podes pensar que o que custa mais é o que se vê,
mas não, o que custa mais não se consegue ver, apenas sentir;
Podes pensar que o que mais pesa , pesa toneladas, mas não,
o que mais pesa é a culpa, que apenas se sente.
Num simples sorriso consegue-se ver o bem,
Numa simples gargalhada consegue-se ver o quão felizes somos.
Numa única lágrima vêm-se emoções,
Pode-se sentir alegria, ou tristeza.
O choro de uma criança, pode ser de dor ou de birra,
o de um adulto pode fazer cortar a respiração porque é dos mais raros de se ver
o de uma mulher pode fazer o sol brilhar, se for de felicidade,
pode fazer nuvens aparecer se for de tristeza.
Mas basta abrir o coração para se saber sentir.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Campeão

De olhos vidrados no prémio sobe a aposta, ele olha para os concorrente e vêm-lhe as borboletas ao estômago, tem medo de perder o seu lugar de campeão, mas não é isso que o pára.
Não interessa nem ganhar nem perder o que interessa é chegar ao fim, é ver o percurso que percorremos até lá chegar, olharmos para trás e ver-mos aquilo que fomos e aquilo que somos.
Olho nos olhos para o meu maior fã e que me ajudou a chegar onde estou,o meu cavalo, não espero ganhar apenas espero chegar ao fim da competição e ouvir o doce som dos aplauso e perceber que fiz um bom trabalho.
Se perdi perdi, mas se ganhei espero sentir o doce sabor da vitória e o peso da medalha no meu pescoço, espero ver a bela fita azul no meu cavalo e todos a olharem para nós enquanto damos a volta ao picadeiro.
Com os olhos postos em nós vejo centenas de pessoas, a baterem palmas e a falar sobre a competição.
O antigo campeão recuperou o lugar e eu não estou no fim da lista, o primeiro prémio é apenas um sonho que espero concretizar o mais cedo possível, em vez de estar no pódio estou a arrumar as minhas coisas, pois a partir do quarto, lugar não se sente o sabor da vitória, mas eu estou feliz com o meu quarto lugar, pois o sabor da vitória está a pouca distância. Trabalharei mais arduamente para ser como o campeão, mas não perderei a auto-estima nem me esquecerei de quem sou.
Guardo os arreios e o meu cavalo e dou-lhe um beijo para que este não tenha medo da viajem.
Estou de volta ao meu lugar, estou de volta a casa e já deixei o meu maior fã no seu belo pasto verdejante para que este possa descansar da sua árdua prova.



domingo, 17 de abril de 2011

Tempo de verão

Todos dizem apenas que o verão é só mais uma estação do ano, mas eu, desde pequena que sou muito imaginativa, vendo sempre uma realidade alternativa às coisas simples e naturais da vida. Onde as pessoas vêm uma formiga, eu vejo um ser trabalhador que volta a casa depois de um longo dia de trabalho árduo; onde as pessoas vêm uma folha caída no chão, eu vejo um pequeno e seguro abrigo para os insectos que temem a chuva.
A minha descrição do verão é um pequeno e curto sonho de criança que é alimentado todos os anos nessa mesma estação, e para que este possa continuar a crescer tenho de sonhar alto e cada vez mais alto. Mas, finalmente, cá vai a história do verão que eu tenho para contar.
O verão é uma bela e formosa senhora com vestes de luz e cabelos de água, a sua pele é feita das conchas mais brilhantes e mais belas de todos os 7 mares, e seus pés são tão delicados como as brisas secas e calmas de verão. Suas bochechas são tão rosadas como rosas acabadas de desabrochar, seus belos lábios são tão carnudos como duas gotas perfeitas de sangue, e seus olhos são claros como as marés, e estes deixam transparecer a sua alegria e sabedoria de há milhões de anos.
Esta esbelta senhora de longas idades viaja pelo mundo inteiro em menos de um ano trazendo felicidade e sol a todos os seres humanos e animais que neste mundo habitam.
A sua beleza estonteante faz com que os frutos que tinham começado a nascer na Primavera amadureçam de forma a que se tornem docinhos e fazendo com que a nossa boca liberte um ligeiro sorriso numa única dentada.
Todos os anos de praia, eu sou a única que quando mergulha no mar e abre os olhos, vê esta senhora a pentear seus longos cabelos que cobrem o mundo, e apesar de esta estar demasiado abstraída com tudo o que a rodeia, ela sabe que eu a posso ver e sente-se lisonjeada com isso, porque apesar de todos a poderem sentir, eu sou a única que lhe consegue agradecer por isso, num simples gesto, um ligeiro sorriso, que esta mo retribui tornando a água do mar mais límpida.
Quando volto à superfície as minhas amigas olham para mim com espanto por ter sustido a respiração durante tanto tempo, mas eu nunca lhes conto aquilo que vejo.
- Mariana! Acorda para a vida! - chamam-me elas abanando-me até eu acordar.
- Desculpem, estava distraída. - digo eu olhando estupefacta para o oceano e deixando os meus cabelos abanarem ao ritmo da brisa marítima.
- Distraída? Tu estavas completamente a dormir! - responde Inês. Ela e a sua irmã Teresa são muito chegadas apesar da curta diferença de idades.
- Já pedi desculpa. - digo eu olhando para elas.
- Pronto, não dizemos mais nada!
- Desculpem, eu não dormi lá muito bem.
- Não há problema, eu já estou seca, acho que vou voltar para a água. – disse a Leonor, uma das minhas melhores amigas que eu conheço desde que nasci, levantando-se e sacudindo a areia que se tinha agarrado ao seu corpo.
- Eu vou! - respondeu Teresa levantando-se.
- Eu também, esperem por mim! - disse ela tentando levantar-se mas voltando a cair para trás.- Vens? - perguntou-me ela levantando-se por fim com sucesso e dando-me a mão para me ajudar a levantar.
- Claro! - respondi eu com um aceno de cabeça e agarrando-lhe a mão como apoio. Sacudi a areia do meu fato-de-banho ainda húmido e fiz uma pequena corrida para a água, mas antes de entrar, deixei-me cair repentinamente na areia enquanto via as ondas na rebentação. De seguida levanto-me num salto e mergulho suavemente na água. Senti o meu cabelo a libertar-se e a dançar à minha volta. Abri os olhos e estranhamente o verão não se encontrava lá. No seu lugar encontrava-se um golfinho, que nadava ao ritmo das ondas.
Subi á superfície estupefacta com aquilo que vira.
Submergi novamente para ter a certeza daquilo que vira. E surpreendentemente este desaparecera. Nadei até á costa onde depois me deixei cair e cobrir de areia.
- O que se passa? - questionou-me Leonor.
- Nada.- respondi eu abanando a cabeça fazendo a água do meu cabelo escorrer-me pela minha húmida face.- Acho que vou comer qualquer coisa.
- Está bem, nós já lá vamos ter contigo.- respondeu desta vez Inês.
Sacudi a areia e fui-me deitar ao sol a comer uma sandes.
Ainda me encontrava incrédula ao pensar no ser que vira debaixo de água.
Um golfinho tão próximo da costa só poderia estar perdido, pois estes seres marinhos nadam em bando e este, encontrando-se sozinho, poderia estar doente. Geralmente, nessas alturas estes aproximam-se da costa. Com medo que este precisasse de ajuda, levantei-me repentinamente e atirei a minha sandes para a areia. Corri desesperadamente para a água e mergulhei sem pensar duas vezes. Nadei até ao lugar onde o avistara, curiosamente este estava de volta e com um ar triste e medroso tentou afastar-se de mim, depois senti que precisava de voltar à superfície para recuperar o ar, mas este seguira-me.
- Não tenhas medo, não faço mal, quero ajudar. - disse eu tentando acalmá-lo. Nessa altura reparei que a sua barbatana se encontrava gravemente ferida. Nesse momento ele batera-me com a sua cauda, mas era tarde de mais, eu fora picada por uma alforreca que nadava perto de mim sem eu dar conta.
Começei a gritar de sofrimento, mas ninguém me ouvia. Começei a tentar nadar, mas a dor ficava cada vez mais forte e o veneno espalhava-se cada vez mais depressa.
- Socorro! - gemi eu ao golfinho que ainda se encontrava a meu lado.
Fechei os olhos, e quando os voltei a abrir estava sozinha, ele desaparecera, e eu perdia a esperança, mas quando voltei a olhar, ele olhava para mim receoso do que me poderia acontecer se ninguém aparecesse depressa.
Então, ele pôs-se debaixo de mim, mas as suas escamas escorregadias não me permitiam montá-lo. Então, agarrei-me à sua barbatana superior com todas as forças que me restavam. O meu novo amigo nadava o mais rápido comigo agarrada, mesmo com a sua barbatana gravemente ferida, pois este queria que eu chegasse ainda com vida à praia mais do que ele próprio ser salvo.
Eu estava cada vez com o veneno mais alastrado, mas mesmo assim mantinha os olhos abertos. Mas perto da costa, não aguentei mais e deixei-me desmaiar. Vi tudo a desvanecer perante os meus olhos, não mais os conseguia abrir, mas de uma coisa eu me recordo. Assim que cheguei à praia agarrei-me com força um pedaço de coral meio rosado e esponjoso. Quando voltei a acordar estava já no hospital numa maca com suores frios, mas a única coisa pela qual eu perguntava era pelo meu amigo golfinho.
- Tem calma, filha, descansa agora e depois falamos. – disse–me ela aproximando-se da minha maca.
- Para onde me levam?
-Vão curar-te, não tenhas medo.
 E nesse momento voltei a fechar os olhos, pois já não tinha forças para os manter abertos e atentos ao que se passava em meu redor
            Acordei durante a noite numa cama ainda do hospital, estava suada e não respirava correctamente, mas a única coisa em que eu pensava era no meu novo amigo ao qual eu chamara de Salvador, pois se não fosse ele, eu poderia ter morrido no meio do mar. Olhei para a minha mão que ainda segurava o pedaço de coral, e ainda o agarrava com força, o que me lembrou da barbatana de Salvador.
Levantei-me, arranquei todos os fios que tinha agarrados ao meu frágil corpo. E mesmo assim corri até à entrada do hospital. Tentei chamar um táxi, mas nenhum aparecia, então andei até à praia com apenas uma coisa em mente: “salvar o Salvador”.
Perto da praia, o frio gelava-me, mas mesmo assim eu não parava, a fome era maior, pois eu não chegara a acabar o meu almoço, e finalmente a minha fraqueza também me tentava parar, mas nada do que se passava me faria desistir.
Assim que cheguei à praia, subi até ao pontão e andei até ao fim deste, e finalmente comecei a descer algumas rochas e a chamar pelo meu salvador.
Este apareceu já com a barbatana curada e nesse momento eu sorria para ele. Nenhumas palavras foram trocadas entre nós, apenas olhares, mas estes diziam tudo o que seria dito pelas palavras.
- Adeus meu bom amigo. - disse eu quebrando o silêncio.
Deixei-o partir no meio das ondas. Sei que ele vai encontrar a sua família a partir dos seus instintos, e agora que este estava curado, não me preocuparia tanto.
Ele partiu olhando para trás, mas eu sei que ele irá viver aventuras e partilhá-las com o resto da sua família assim que a encontrar.
Derramei uma lágrima apenas vendo-o partir nas ondas, e depois um sorriso que valia por mil palavras, algumas de tristeza, outras de alegria
Dizer adeus é sempre mais difícil do que dizer olá, mas neste caso foi o melhor a fazer, mas todas as noites ainda penso nele e no único gesto que ele fez para me salvar apesar das circunstâncias em que se encontrava.
O verão acabou e as aulas voltaram.
- Então Mariana, o que fizeste durante as férias? - perguntam-me as minha amigas.
- Um bom amigo, um grande amigo que nunca esquecerei. - respondo eu com um brilho no olhar e um sorriso a aparecer-me nos lábios.